| Artigo - A Empresa e seu Papel Social |
Apesar de todas
as dificuldades que enfrenta no seu dia-a-dia, o empresariado nacional percebeu
a sua função de protagonista no contexto das mudanças
sociais. O Estado não tem condições de oferecer respostas
tão ágeis e rápidas aos problemas da população
como as empresas, que em tempos de alta competitividade, estão acostumadas
a atuarem com mais eficiência no seu dia-a-dia. Assim, o setor privado
tomou consciência de que precisa ter uma participação
maciça no ambiente social e comunitário porque é parte
integrante dele, e portanto depende de seu correto funcionamento. Os resultados
obtidos por diversas empresas no âmbito social indicam que o empresariado
é também parte modificadora desse ambiente.
As empresas estão assumindo a sua responsabilidade social e promovendo
uma verdadeira revolução cívica. Segundo pesquisa do
Instituto ADVB de Responsabilidade Social, com 2.830 empresas que já
se preocupam com sua atuação social, são investidos
cerca de R$ 98 mil por empresa em média por ano em projetos que beneficiam
aproximadamente 37 milhões de pessoas. Além disso, 67% dos
funcionários dessas empresas atuam de forma voluntária em
projetos sociais.
Pode-se dizer também, que quem investe em empresas que respeitam
o meio ambiente e a comunidade, recebe um maior retorno. Recente estudo
feito pelo Finance Institute for Global Sustentability (Figs), uma entidade
que mapeia o desempenho de meia centena de fundos de investimento éticos,
indica que três quartos desse tipo de investimento teve um retorno
superior à média, em 2.000. Esses fundos são chamados
éticos porque favorecem empresas social e ambientalmente corretas.
Há dois anos o Figs encontrou apenas dois fundos desse tipo. No final
do ano passado já eram 60 fundos que movimentavam US$ 15 bilhões
de dólares.
Um fato que me chamou a atenção definitivamente para o avanço
da responsabilidade social entre os segmentos profissionais foi o último
congresso anual dos contabilistas. Pelo menos três mil profissionais
da área examinaram pela primeira vez o papel social do contador.
Certamente, há alguns anos, um tema desse tipo não atrairia
mais que uma dezena de contadores.
A sociedade civil vem assumindo uma clara posição ao enfrentar
os problemas sociais ao invés de deixá-los para o Estado.
Assim, impõe-se às empresas uma mudança no processo
de condução desses assuntos, que assumem uma posição
mais estratégica na medida em que afetam a imagem corporativa. Vale
lembrar que os brasileiros estão cada vez mais predispostos a punirem
empresas que não sejam socialmente responsáveis.
A responsabilidade social das empresas aproxima as pessoas dos problemas
sociais e os tornam mais reais do que pareciam quando só o Estado
participava. Nesse novo contexto, as questões sociais ganham um caráter
prático porque colocam as pessoas, e não a instituição
estatal, em contato direto com a problemática social dos nossos tempos.
13/03/02
www.filantropia.org